As apostas em alta da taxa básica de juros em 2011 foram reduzidas após os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos terem sinalizado, respectivamente, a manutenção da inflação brasileira dentro da meta e uma recuperação "mais modesta" da economia americana.
O mercado vem derrubando os juros futuros, especialmente os de vencimento mais longos, nos últimos dias.
O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2013 caía 3 pontos-base para 11,46% às 10h16, acumulando queda de 21 pontos- base na semana até 10h01.
A taxa para janeiro de 2012 cai 1 ponto para 11,30%, com queda de 17 pontos na semana.
A maior parte da queda dos contratos do DI ocorreu na segunda-feira (16) após declarações feitas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em Belo Horizonte.
Ele disse que, "olhando para frente, a expectativa de inflação está em torno da meta em 2011, e na meta nos anos seguintes".
As sinalizações do BC brasileiro levaram o mercado a reduzir as apostas em mais altas de juros em 2011, disse Marina Santos, economista-chefe da Squanto Investimentos, em entrevista por telefone de São Paulo.
Para a economista, a possibilidade de uma desaceleração mais forte no exterior está fazendo o mercado considerar outras possibilidades, e até queda na Selic.
"Agora, mesmo com uma chance de apenas 10%, já se pode falar até na possibilidade de queda da Selic no próximo ano se for confirmado um cenário de atividade mais fraca no exterior", disse Marina.
Meirelles disse de madrugada na Globo News que "não podemos ficar tirando conclusões precipitadas" porque o BC "não pode sinalizar aquilo que não sabe".
"Parece que o BC mostrou uma preocupação com a reação de queda da segunda-feira, após as declarações de que a inflação estava ancorada, dado que o movimento foi muito brusco", afirmou Zeina Latif, economista sênior para América Latina do RBS Securities.
Segundo Marina da Squanto, o cenário externo também ajudou a derrubar os juros futuros no Brasil desde que o comunicado da última reunião de política monetária comandada pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke afirmou que a recuperação da economia americana deverá ser "mais modesta" do que o previsto.
As apostas no fim do aperto monetário iniciado em abril deste ano também se consolidaram. "O mercado comprou a ideia de que a Selic não sobe mais e fechará o ano em 10,75%", disse Newton Camargo Rosa, economista-chefe da Sul America.
Apesar da queda dos juros futuros mais longos, Camargo Rosa mantém a avaliação de que, após a pausa do aperto monetário no próximo Copom, o Banco Central terá de reiniciar o aperto monetário no próximo ano.
"Não há sinais de arrefecimento da demanda e ainda poderemos ter o impacto de uma alta das commodities", disse o economista.
FONTE: Brasil Econômico - Por Josué Leonel/Bloomberg News
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